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Ficção de detetive nos arquivos: registros judiciais e os usos da lei no final da Idade Média Inglaterra

Ficção de detetive nos arquivos: registros judiciais e os usos da lei no final da Idade Média Inglaterra

Ficção de detetive nos arquivos: registros judiciais e os usos da lei no final da Idade Média Inglaterra

Por Shannon McSheffrey

Diário de Oficina de História, Vol.65: 1 (2008)

Introdução: Os historiadores são freqüentemente comparados a detetives, em busca de pistas e descobrindo conexões até que, finalmente, a verdade seja encontrada e o mistério seja resolvido. O detetive fictício trabalha nas ruas e o historiador trabalha nos arquivos, mas o processo de construção de um caso e de fazer inferências lógicas a partir de pistas dispersas às vezes é notavelmente semelhante. Os historiadores, no entanto, não têm mais permissão para ter a certeza que marcou as conclusões da ficção policial clássica: raramente, ou nunca, temos mais certeza sobre quem não sabe (qualquer que seja "isso") ou por quê.

Essa dúvida epistêmica constante pode ser desorientadora. Por um lado, muitos detetives de arquivos, inclusive eu, têm, como nosso progenitor Jules Michelet, uma sensação essencialmente romântica de que podemos virtualmente ver os mortos através da poeira do documento. O pedaço de pergaminho ou papel, em alguns casos realmente segurado pela mão da pessoa que estamos investigando, parece criar uma conexão literalmente tangível. Por outro lado, tanto a teoria quanto os problemas práticos da pesquisa nos avisam continuamente que essa visão dos mortos é uma miragem, ou pelo menos uma imagem altamente refratada: cada nova pista pode lançar todas as evidências anteriores em uma luz completamente nova, efetivamente mudando o direção da narrativa correndo dentro de nossas cabeças.

Meu objetivo neste artigo é explorar duas questões. O primeiro é um problema de história jurídica e social: como os londrinos do final da Idade Média usaram os poderes jurídicos e de arquivo das autoridades governamentais para negociar suas vidas? O segundo é um problema de metodologia histórica: como pensar nos arquivos como agentes históricos, em vez de repositórios inertes de evidências, pode refinar a maneira como usamos os documentos históricos?


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